top of page
BLOG NO TEATRO


Entre Peça sobre peças, os reconhecimentos de uma vida real
Por Gabi Coutinho Entrei sem anúncio. Como quem chega na casa de alguém e percebe, pelo jeito que as cadeiras estão dispostas, que alguma coisa já iniciou antes de você. Em “Peça sobre peças”, não existe exatamente um começo: existe um convite silencioso. Uma energia que atravessa o espaço antes mesmo de qualquer fala. Até que “de repente não mais que de repente” você já está dentro, não como espectador distante, mas como alguém que partilha daquele acordo delicado: o de ver
há 2 dias


Quando o vazio vira ruído - é preciso falar sobre as limitações ao “movimento sem ingresso”
Por No Teatro Curitiba A fila começava tímida, quase envergonhada, como quem não quer atrapalhar. Pessoas encostadas nas paredes, olhando discretamente para a porta, às vezes segurando um cartaz e em algumas outras segurando um resto de esperança no corpo. Não tinham ingresso; mas tinham (ou arrumavam) tempo, vontade e presença. Algo que, em grande parte dos casos, deveria bastar. Lá dentro, algumas cadeiras vazias. Não muitas, mas suficientes para criar um ruído. Um tipo de
14 de abr.


“A Máquina” que movimenta o Teatro - sentimentos sobre uma das peças mais gostosas de assistir
Por Gabi Coutinho Existe uma máquina que movimenta o teatro: não se vê suas engrenagens de imediato, não há ruído metálico nem anúncio de quando vá começar a funcionar. Ela inicia silenciosa, quase imperceptível, muito antes das luzes encontrarem seus lugares e o público ajustar o corpo no espaço. Aos poucos, algo entra em rotação na cena e fora dela. Entre olhares que se encaixam e gestos que encontram o outro, um ritmo se estabelece e então percebemos: a máquina já está em
11 de abr.


A peça que eu não queria ter visto - e isso é tudo o que eu consigo dizer
Por Gabi Coutinho Essa talvez ainda seja uma crítica num formato literário, mas definitivamente não será um conto leve e bonito como venho tentando fazer. Na verdade, pensei muitas vezes se iria escrever sobre isso e decidi trazer à tona para ao menos transformar minha dor em reflexão. Dizem que toda experiência é válida, porém essa, eu insisto, eu preferia não ter vivido. Ontem eu relembrei e vivi na pele a potência do teatro — mas não como gosto de ver e sentir. Me senti nã
8 de abr.


Entre raízes e rumos - um conto que transforma Doce Árido num encontro
Por Gabi Coutinho Ela era só uma menina vinda de uma família majoritariamente formada por mulheres, em que a força do feminino nunca deixou dúvidas, pelo bem e pelo mal. Aprendeu cedo que cuidado e dureza podiam habitar o mesmo corpo, que mãos que afagam também sabem apertar. Esperança e cansaço dividem a mesma cadeira. Cresceu ouvindo histórias que começavam sempre antes dela e terminavam depois, histórias de trabalho, de permanência, de quem ficou porque quis e também de qu
6 de abr.


Porque eu NÃO assisti (um) ensaio sobre a cegueira
Por Gabi Coutinho Cada vez que alguém me pergunta se eu assisti “(um) Ensaio sobre a Cegueira” no 34° Festival de Curitiba, uma dorzinha me corrói por dentro. Automaticamente me dizem: “não conseguiu ingresso, né?”, mas eu sorrio sem jeito porque não foi essa a questão. Apesar da grande disputa, havia até um certo orgulho silencioso em dizer: eu consegui. Afirmava com convicção que estava pronta para assistir a montagem do Grupo Galpão. Um acontecimento. Uma peça comentada,
6 de abr.


Uma linha tênue entre loucura e esperança: um fluxo de pensamento para acompanhar Dias Felizes
Um dia feliz. Mais um dia feliz em que ela acorda com vontade de colocar no papel seus pensamentos do jeito que se fala, sem filtro mesmo, sabendo que talvez ninguém leia e que, pra quem ler, também talvez não faça o menor sentido (foda-se, como ela costuma dizer) Ela começa sem saber exatamente de onde vem a primeira frase, apenas permitindo que elas se empilhem como se falar fosse mais urgente do que organizar, como se a coerência fosse um luxo e não uma necessidade, porque
5 de abr.


Uma vida inteira brincando: Crítica da peça “Histórias de teatro e circo - Três gerações de arte brincante”, Carroça de Mamulengos
Por Adelaide, escrita por Maria Nardy Era uma vez uma menina que vai ao teatro e vê uma atriz. Ela agora quer ser atriz também. Anos depois, outra menina vai ao teatro e vê essa nova atriz e também quer ser uma delas. Qual a matéria-prima do teatro? Essa arte só existe, há milênios, porque um dia uma atriz olhou no olho de outra atriz. E assim o teatro continua com seus fazedores sendo passado de olhar em olhar. O avô, que guia a história como um narrador, aos 70 anos, olha n
4 de abr.


Um endeusamento sem respostas - conto-crítica sobre Versão Demo
Por Gabi Coutinho Sempre desconfiei das frases que chegam prontas. Elas têm um peso estranho, como se viessem acompanhadas de uma assinatura invisível que diz: “não mexa”. Passei muito tempo achando que o problema era meu. Eu escutava afirmações categóricas sobre arte, sobre vida, sobre o que é certo, sobre o que é possível… e sentia um leve ruído. Não era discordância imediata, era algo mais sutil. Uma pergunta que tentava nascer e era rapidamente abafada pelo constrangiment
4 de abr.


Bola na Trave: uma reflexão sobre Na Marca do Pênalti
Entrei no Teatro Guaíra com a sensação de dia de clássico. Não exatamente aquele frio na barriga de decisão, mas um burburinho diferente. Nas filas, dava pra reconhecer camisas de colecionador, comentários sussurrados, memórias compartilhadas antes mesmo do apito inicial. Era como se parte da torcida do Corinthians tivesse atravessado as catracas do estádio e decidido ocupar as poltronas vermelhas. Sentei. Esperei o ritual. O apagar das luzes é sempre meu apito inicial para o
4 de abr.


Quando foi que a gente mofou? - um conto inspirado em “Como Cozinhar uma Criança”
Houve um tempo em que a gente mofou? Não sei exatamente quando, mas se aconteceu não foi de repente. Não apareceu uma mancha visível, nem um cheiro forte denunciando. Foi mais silencioso, como fruta madura esquecida no fundo da geladeira. Como um liquidificador antigo, ainda em cima da pia, que já não gira mais, mesmo que o botão ainda faça “clique”. A lembrança ainda era doce, fazia parecer coisa fresca. Me permitia lembrar da cozinha da casa da minha avó, no interior de Sa
3 de abr.


Violência à brasileira: crítica da peça “Reparação”, por Adelaide
Por Adelaide, escrito por Maria Nardy (crítica convidada para cobertura do Festival de Curitiba) Um salão de beleza, final dos anos 80, em uma cidade do interior. Manicure, cabeleireira, santa embaixo da mesa, São Jorge no altar na quina da parede, adesivo do Collor no vidro da janela. Um cenário familiarmente brasileiro, detalhado cuidadosamente, regado a café, cigarro, vizinhança e fofoca. Reparação, peça com encenação e dramaturgia de Carlos Canhameiro, começa e termina co
2 de abr.


Um mergulho em (Um) Ensaio sobre a Cegueira - Só num mundo de cegos as coisas serão o que verdadeiramente são.
Foto: Maringas Maciel Por Maduh Cavalli (Um) Ensaio sobre a Cegueira, do Grupo Galpão, inspirada na obra de José Saramago, a montagem desloca o foco da narrativa para a experiência. A conhecida epidemia de cegueira branca funciona menos como motor de trama e mais como dispositivo simbólico: não se trata de uma cegueira física, mas de uma metáfora da falência ética, da razão, do senso de coletividade, da capacidade de enxergar o outro. O espetáculo, então, não quer apenas cont
2 de abr.


Quando o banal também começa a incomodar quem sente
Por Gabi Coutinho Começou o 34º Festival de Curitiba, e minha maratona iniciou com “Reparação”, do Carlos Canhameiro, no Sesc da Esquina. A primeira sessão já foi suficiente para me lembrar por que amo tanto essas duas semanas intensas de arte e correria (não que em algum momento eu tivesse esquecido disso), e também reforçou algo essencial: como é fundamental que cada vez mais pessoas tenham acesso e assistam a peças como essa. “Reparação” é um espetáculo que me capturou pri
1 de abr.


Nem só biografia, nem só show: o Tim Maia que acontece no palco
Por Thalyta Cavalli Assistir Tim Maia – Vale Tudo, o Musical foi entrar numa experiência que não se explica de imediato — ela vai se organizando na nossa cabeça enquanto acontece… e continua reverberando depois. Logo no início, senti dificuldade em me situar na história. Entrei esperando uma narrativa mais linear da vida de Tim Maia, e o espetáculo até tem um certo fio cronológico, mas se organiza principalmente de forma fragmentada, em blocos episódicos. As cenas não seguem
1 de abr.


Quantos quilômetros cabem em 2 metros quadrados?
Por Gabi Coutinho Como pode uma das peças mais minimalistas que eu já assisti ter sido também uma das mais “gigantes”? A Menina e a Árvore, produção da Dobra Teatro que veio à Curitiba pelo edital da Caixa Cultural, me impactou fortemente por sua grandiosidade. E isso acontecer com 4 atores em uma plataforma de 2m2, com toda a sonoplastia feita em cena e nenhum recurso adicional de cenário, fez a experiência se tornar ainda mais especial. Todo esse contexto me emocionou ao pe
28 de fev.


Aprender sem medo: o teatro como espaço de encontro
Por Thalyta Cavalli Foto: Pavel Danilyuk O que leva uma pessoa a querer aprender algo novo? É a necessidade de alcançar um objetivo? O desejo por algo mais? A curiosidade por algo diferente? Ou simplesmente a vontade de se divertir? Tenho certeza de que, assim como eu, você já passou (ou está passando) por uma dessas situações. Há algum tempo, eu já estudava teatro quando, de repente, me vi como veterana diante de novos alunos. Observando seus olhos e ouvidos atentos, e relem
26 de fev.


Teatro infantil: mais que entretenimento, uma necessidade para o cenário e para o espectador
18 de fevereiro de 2026 por Gabi Coutinho Preciso começar dizendo que sim: posso ser suspeita para falar de teatro infantil. Sempre fui apaixonada por esse segmento e, no momento, inclusive, tenho buscado me desenvolver escrevendo literatura e dramaturgias para esse público. Talvez por isso eu esteja com o olhar ainda mais atento — como criadora e como espectadora. Mas não trago essa reflexão apenas por afinidade. Trago porque, ao me envolver cada vez mais com essa temática
18 de fev.


No Céu da Boca: percepções oficiais de que menos é mais
No Teatro Curitiba | 13 de novembro de 2025 Foto de capa: Nay Klym e Eduardo Ramos Nessa quinta-feira, 13 de novembro, voltei a assistir No Céu da Boca, produção da Na Carreira Produções, dessa vez em curta temporada no Teatro Cleon Jacques. Eu já havia visto a peça em sua estreia, em setembro, no Teatro José Maria Santos, e o elenco — Ane Adade, Kauê Person, Marcelo Rodrigues, Michele Bittencourt e Renata Bruel — já me encantava desde então; além de lembrar de como me impre
13 de nov. de 2025


Tom Na Fazenda: Os homossexuais aprendem a mentir antes mesmo de amar
No Teatro Curitiba / 16 de setembro de 2025 Foto de capa: Gaby Strapasson (@gabystrapasson_) Tom na Fazenda é uma obra teatral de potência arrebatadora e poesia cênica, que mergulha em um tema tão delicado, urgente e complexo, a homofobia e suas raízes na violência, no silenciamento e no desejo proibido. O elenco (Armando Babaioff, Denise Del Vecchio, Iano Salomão e Camila Nhary) se entrega de corpo, alma e presença. As atuações são de uma construção tão sólida e verdadeira
16 de set. de 2025
bottom of page