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BLOG NO TEATRO


Sobre “Deriva”; por Fernando Pivotto
[Este texto reflexivo foi comissionado pela Súbita Companhia, quando da realização da segunda edição da Plataforma Súbita. O convite incluía um bate-papo crítico sobre o espetáculo Deriva, da companhia, e as mostras de processo de Suíte Deserto, de Korpa Enkantada e Mandíbula, de Andreia Porto. Para mais informações, entre em contato por tudomenosumacrítica@gmail.com] [[Se possível, leia ou ouça este texto em movimento, ou observando o movimento da cidade]] Pela porta do café
há 5 dias


Sobre percursos, paisagens e desenhos - Fragmentos reflexivos a partir do espetáculo Deriva, da Súbita Companhia
por Soraya Martins (crítica convidada) O termo deriva possui significados múltiplos que se tensionam e se complementam. De um lado, remete à ideia de deslocamento sem rumo; de outro, à experiência do acaso, da abertura ao imprevisto e da suspensão de controle, tornando-se um gesto crítico diante das estruturas normativas. Me interesso, mais de perto, por este sentido último, simbólico. É dele que parto para fazer deste texto fragmentos críticos-criativos sobre a deriva poétic
há 5 dias


Um Manual perfeito pra coisas que certamente não constam em nenhum manual
Por Gabi Coutinho Fabulação. Uma palavra que tenho ouvido com frequência nos últimos tempos. Uma palavra bonita para algo que de alguma forma fazemos desde sempre (mas na minha humilde opinião deveríamos fazer ainda mais): transformar lembranças em histórias, ausências em imagens, dores em narrativas que podemos atravessar. Fabular não é fugir da realidade. É encontrar outras formas de habitá-la. É permitir que aquilo que parece grande demais para ser explicado encontre espa
4 de jun.


No Teatro vai ao cinema: filmes sobre cena, presença e a arte do encontro no 15º Olhar de Cinema
Quem acompanha o No Teatro Curitiba sabe que nosso olhar para a cultura vai além dos palcos. Frequentamos festivais de cinema, acompanhamos eventos literários, visitamos exposições, somos atravessados pela dança, pela música, pela educação, pelo turismo cultural e pelas muitas formas que a arte encontra para fazer parte da vida das pessoas. Somos apaixonados por esse universo em sua totalidade — e talvez seja justamente por isso que escolhemos atuar como um veículo de nicho.
4 de jun.


Entre pontos de atenção, um musical de bom Tom
Por No Teatro Curitiba Há espetáculos que impressionam pelo tamanho. Outros, pela emoção. Tom Jobim Musical consegue fazer as duas coisas ao mesmo tempo, entregando uma experiência grandiosa que celebra não apenas a trajetória de um dos maiores nomes da música brasileira, mas também a força do teatro musical nacional. Desde os primeiros minutos, a produção chama atenção pela dimensão de sua proposta. O cenário é impressionante, transitando entre diferentes espaços, épocas e a
1 de jun.


Nenhuma Lágrima: um depoimento literário de quem, de alguma forma, se coloca em julgamento
Por Gabi Coutinho Alerta de gatilho: este texto aborda temas relacionados a abuso, violência psicológica, relacionamentos tóxicos e violência sexual. Foi estranho assistir Prima Facie sabendo que tantas pessoas saíam dali chorando e reparar que quase me frustrei tentando entender porque eu não era uma delas. Eu também esperava isso de mim. Existia uma expectativa silenciosa de que, em algum momento, uma lágrima descesse e me aliviasse daquilo tudo. Afinal, é uma peça que desm
24 de mai.


O que se constrói sobre uma Plataforma: a importância do atravessamento em uma maratona de encontros investigativos
Por Gabi Coutinho Existe algo muito bonito acontecendo quando uma companhia consagrada decide não mostrar apenas obras prontas, mas abrir as portas do pensamento. Foto: Maduh Cavalli A Plataforma Súbita parece entender isso profundamente ao construir sua programação não como uma vitrine, mas como uma casa temporária de encontros. Um espaço em que processos importam tanto quanto estreias, em que perguntas têm o mesmo peso das respostas, e em que o teatro deixa de ser somente p
22 de mai.


Aos Companheiros de Estrada: uma travessia emocional de parada obrigatória
Por Gabi Coutinho Tem caminhos que a gente percorre no automático. A rua de sempre, o ônibus de sempre, um mesmo pensamento repetido enquanto o mundo acontece sem pedir licença. E talvez o mais perigoso dos trajetos seja justamente esse: atravessar paisagens sem enxergar as histórias que moram nelas. Foi nisso que pensei assistindo Aos Companheiros de Estrada, enquanto a peça me arrancava aos poucos dessa mania contemporânea de viver com pressa e passar pelas coisas sem habit
11 de mai.


Há coisas que não cabem mais no silêncio
Por Maduh Cavalli Escrevo este texto como um convite à reflexão e à construção de um espaço de escuta e apoio. Trago esse tema porque ele me atravessa há algum tempo e porque, em muitos momentos, o que não é dito também sustenta o problema. Falar sobre assédio dentro da classe artística de Curitiba não é simples e nem confortável, mas é necessário. Ao longo dos anos, relatos, conversas de bastidores e experiências compartilhadas têm apontado para uma realidade que ainda preci
28 de abr.


Eu me lembrarei - Uma leitura sensível sobre Lembra-te de mim
Por Gabi Coutinho Há um momento difícil de localizar no tempo, em que a gente percebe que carrega mais do que viveu. Como se dentro do corpo houvesse camadas de histórias que não são exatamente suas, compostas por memórias herdadas, violências que ecoam, silêncios que insistem em permanecer. Não chegam como lembranças claras, mas como sensações: um peso sem nome, uma inquietação que não se explica. É como caminhar entre dois pontos, entre o que se vê à frente e aquilo que ins
22 de abr.


Entre Peça sobre peças, os reconhecimentos de uma vida real
Por Gabi Coutinho Entrei sem anúncio. Como quem chega na casa de alguém e percebe, pelo jeito que as cadeiras estão dispostas, que alguma coisa já iniciou antes de você. Em “Peça sobre peças”, não existe exatamente um começo: existe um convite silencioso. Uma energia que atravessa o espaço antes mesmo de qualquer fala. Até que “de repente não mais que de repente” você já está dentro, não como espectador distante, mas como alguém que partilha daquele acordo delicado: o de ver
20 de abr.


Quando o vazio vira ruído - é preciso falar sobre as limitações ao “movimento sem ingresso”
Por No Teatro Curitiba A fila começava tímida, quase envergonhada, como quem não quer atrapalhar. Pessoas encostadas nas paredes, olhando discretamente para a porta, às vezes segurando um cartaz e em algumas outras segurando um resto de esperança no corpo. Não tinham ingresso; mas tinham (ou arrumavam) tempo, vontade e presença. Algo que, em grande parte dos casos, deveria bastar. Lá dentro, algumas cadeiras vazias. Não muitas, mas suficientes para criar um ruído. Um tipo de
14 de abr.


“A Máquina” que movimenta o Teatro - sentimentos sobre uma das peças mais gostosas de assistir
Por Gabi Coutinho Existe uma máquina que movimenta o teatro: não se vê suas engrenagens de imediato, não há ruído metálico nem anúncio de quando vá começar a funcionar. Ela inicia silenciosa, quase imperceptível, muito antes das luzes encontrarem seus lugares e o público ajustar o corpo no espaço. Aos poucos, algo entra em rotação na cena e fora dela. Entre olhares que se encaixam e gestos que encontram o outro, um ritmo se estabelece e então percebemos: a máquina já está em
11 de abr.


A peça que eu não queria ter visto - e isso é tudo o que eu consigo dizer
Por Gabi Coutinho Essa talvez ainda seja uma crítica num formato literário, mas definitivamente não será um conto leve e bonito como venho tentando fazer. Na verdade, pensei muitas vezes se iria escrever sobre isso e decidi trazer à tona para ao menos transformar minha dor em reflexão. Dizem que toda experiência é válida, porém essa, eu insisto, eu preferia não ter vivido. Ontem eu relembrei e vivi na pele a potência do teatro — mas não como gosto de ver e sentir. Me senti nã
8 de abr.


Entre raízes e rumos - um conto que transforma Doce Árido num encontro
Por Gabi Coutinho Ela era só uma menina vinda de uma família majoritariamente formada por mulheres, em que a força do feminino nunca deixou dúvidas, pelo bem e pelo mal. Aprendeu cedo que cuidado e dureza podiam habitar o mesmo corpo, que mãos que afagam também sabem apertar. Esperança e cansaço dividem a mesma cadeira. Cresceu ouvindo histórias que começavam sempre antes dela e terminavam depois, histórias de trabalho, de permanência, de quem ficou porque quis e também de qu
6 de abr.


Porque eu NÃO assisti (um) ensaio sobre a cegueira
Por Gabi Coutinho Cada vez que alguém me pergunta se eu assisti “(um) Ensaio sobre a Cegueira” no 34° Festival de Curitiba, uma dorzinha me corrói por dentro. Automaticamente me dizem: “não conseguiu ingresso, né?”, mas eu sorrio sem jeito porque não foi essa a questão. Apesar da grande disputa, havia até um certo orgulho silencioso em dizer: eu consegui. Afirmava com convicção que estava pronta para assistir a montagem do Grupo Galpão. Um acontecimento. Uma peça comentada,
6 de abr.


Uma linha tênue entre loucura e esperança: um fluxo de pensamento para acompanhar Dias Felizes
Um dia feliz. Mais um dia feliz em que ela acorda com vontade de colocar no papel seus pensamentos do jeito que se fala, sem filtro mesmo, sabendo que talvez ninguém leia e que, pra quem ler, também talvez não faça o menor sentido (foda-se, como ela costuma dizer) Ela começa sem saber exatamente de onde vem a primeira frase, apenas permitindo que elas se empilhem como se falar fosse mais urgente do que organizar, como se a coerência fosse um luxo e não uma necessidade, porque
5 de abr.


Uma vida inteira brincando: Crítica da peça “Histórias de teatro e circo - Três gerações de arte brincante”, Carroça de Mamulengos
Por Adelaide, escrita por Maria Nardy Era uma vez uma menina que vai ao teatro e vê uma atriz. Ela agora quer ser atriz também. Anos depois, outra menina vai ao teatro e vê essa nova atriz e também quer ser uma delas. Qual a matéria-prima do teatro? Essa arte só existe, há milênios, porque um dia uma atriz olhou no olho de outra atriz. E assim o teatro continua com seus fazedores sendo passado de olhar em olhar. O avô, que guia a história como um narrador, aos 70 anos, olha n
4 de abr.


Um endeusamento sem respostas - conto-crítica sobre Versão Demo
Por Gabi Coutinho Sempre desconfiei das frases que chegam prontas. Elas têm um peso estranho, como se viessem acompanhadas de uma assinatura invisível que diz: “não mexa”. Passei muito tempo achando que o problema era meu. Eu escutava afirmações categóricas sobre arte, sobre vida, sobre o que é certo, sobre o que é possível… e sentia um leve ruído. Não era discordância imediata, era algo mais sutil. Uma pergunta que tentava nascer e era rapidamente abafada pelo constrangiment
4 de abr.


Bola na Trave: uma reflexão sobre Na Marca do Pênalti
Entrei no Teatro Guaíra com a sensação de dia de clássico. Não exatamente aquele frio na barriga de decisão, mas um burburinho diferente. Nas filas, dava pra reconhecer camisas de colecionador, comentários sussurrados, memórias compartilhadas antes mesmo do apito inicial. Era como se parte da torcida do Corinthians tivesse atravessado as catracas do estádio e decidido ocupar as poltronas vermelhas. Sentei. Esperei o ritual. O apagar das luzes é sempre meu apito inicial para o
4 de abr.
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