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Mostra Surda amplia o protagonismo da cultura em Libras no 34º Festival de Curitiba

  • No Teatro Curitiba
  • 23 de mar.
  • 7 min de leitura

Realizada pela terceira vez dentro da programação do Festival, mostra gratuita reúne espetáculos de várias regiões do país e ocupa a Capela Santa Maria


Sopro de Liberdade | Foto: Divulgação
Sopro de Liberdade | Foto: Divulgação

Pelo terceiro ano consecutivo, a Mostra Surda de Teatro integra a programação do 34º Festival de Curitiba, consolidando-se como um dos espaços mais importantes dedicados à produção artística em Libras no país. A mostra será realizada de 3 a 5 de abril, na Capela Santa Maria, reunindo oito espetáculos e duas oficinas, com participação de artistas de Curitiba, Salvador, Fortaleza, Brasília e São Paulo.


Todos os espetáculos e atividades da Mostra Surda são gratuitos, com ingressos distribuídos uma hora antes de cada apresentação, por ordem de chegada.


A programação deste ano inclui três estreias nacionais, além de atividades formativas voltadas à circulação de saberes da cultura surda. Entre elas está a oficina “Como contar histórias para crianças surdas”, dedicada a educadores, artistas e interessados na relação entre arte, linguagem e infância.


Criada para ampliar o espaço de circulação da arte em Libras dentro do maior evento de artes cênicas da América Latina, a Mostra Surda reafirma o compromisso do Festival de Curitiba com a diversidade estética, linguística e cultural nas artes desta cena.


Para Fabíula Passini, diretora do Festival de Curitiba, a continuidade da mostra demonstra o amadurecimento de uma iniciativa que já se tornou uma parte importante da programação. “A Mostra Surda reafirma o compromisso do Festival com a diversidade de linguagens e com a valorização da produção artística da comunidade surda. Além de ampliar o acesso, ela coloca em evidência artistas, estéticas e formas de criação que ampliam o próprio entendimento do que é o teatro contemporâneo.


Na edição anterior, realizada no Teatro Sesc da Esquina, a Mostra Surda reuniu mais de 1.500 espectadores, com participação de artistas e público surdo de diferentes regiões do Brasil e da América do Sul.


Em 2026, a mostra ganha também um novo espaço dentro da programação do Festival: a Capela Santa Maria, tradicional sala de concertos e apresentações artísticas no centro de Curitiba. A mudança amplia as possibilidades de encontro entre artistas e público e reforça a presença da mostra na programação oficial do Festival.


A curadoria é novamente assinada pelo diretor e intérprete de Libras Jonatas Medeiros e pela artista surda e diretora Rafaela Hoebel, e parte da ideia de que o teatro surdo contemporâneo constitui um campo estético próprio, no qual corpo, gesto e visualidade estruturam novas formas de dramaturgia.


Segundo os curadores, a mostra busca apresentar obras que colocam a autoria surda no centro do processo criativo, explorando a potência expressiva da língua de sinais e das performatividades visuais. “A cena surda contemporânea é um território de pensamento. O corpo que sinaliza produz conhecimento, estética e filosofia. A Mostra reúne trabalhos que mostram como a Libras pode organizar o espaço cênico, produzir dramaturgia e expandir os limites da própria linguagem teatral”, afirma a curadora Rafaela Hoebel. 


Nesta edição, o recorte privilegia performances autorais, solos e experimentações cênicas que transitam entre teatro, performance, poesia sinalizada, dança e contação de histórias.


Os espetáculos selecionados investigam a relação entre corpo, visualidade e linguagem, apresentando diferentes caminhos da produção artística surda contemporânea. “Essas obras revelam um campo artístico que não deriva do teatro ouvinte, mas propõe outra temporalidade, outro modo de percepção e outras formas de construir narrativa. É uma dramaturgia visual que amplia o horizonte do que entendemos como artes da cena”, destaca Jonatas Medeiros.


A curadoria também destaca o olhar para o público infantil, reafirmando a importância do acesso à cultura na língua natural da comunidade surda. Garantir que crianças surdas tenham acesso à arte em sua própria língua é parte essencial da formação cultural e da construção de identidade. “Quando a criança surda encontra no palco artistas que compartilham sua língua e sua experiência de mundo, ela reconhece ali um espaço de pertencimento. O teatro se torna também um território de afirmação identitária”, afirmam.



Cada vez mais acessível

Um diferencial importante desta edição é o fortalecimento das políticas de acessibilidade voltadas também à comunidade surdocega, um público historicamente pouco contemplado nas programações culturais. Durante toda a Mostra Surda, haverá uma equipe de guia-intérpretes presente na Capela, garantindo a mediação em língua de sinais tátil para pessoas surdocegas. 


Essa preocupação também se estende à comunicação do evento. Toda a divulgação da Mostra Surda foi pensada para contemplar pessoas com baixa visão e pessoas surdocegas, com materiais gráficos produzidos tanto em versões coloridas quanto em baixo contraste, além de adaptações em vídeos e conteúdos digitais. A proposta é ampliar o alcance da informação e fortalecer a formação de público surdocego, um trabalho que já vinha sendo desenvolvido em edições anteriores, mas que em 2026 ganha maior estrutura e abrangência.


A mostra também se destaca por promover a empregabilidade dentro da própria comunidade surda. A equipe é majoritariamente composta por profissionais surdos, que atuam em diferentes etapas da produção — da direção e curadoria à produção executiva e às apresentações artísticas. 


Além das apresentações, a Mostra Surda também participa da programação do Interlocuções, eixo dedicado a debates e reflexões sobre as artes da cena. Nesta edição, será realizado um bate-papo sobre meios de produção cultural no teatro surdo, reunindo artistas participantes da mostra para discutir formas de financiamento, acesso a editais, políticas públicas e estratégias de produção. Entre os temas abordados estão o impacto de iniciativas como a Lei Paulo Gustavo, a aplicação de cotas para artistas surdos em editais culturais e os diferentes modelos de produção — independentes ou em parceria com profissionais ouvintes.



A Mostra Surda no Festival de Curitiba é apresentada por Petrobras, Sanepar e Governo do Estado do Paraná, Prefeitura de Curitiba e Fundação Cultural de Curitiba, com patrocínio de EBANX, Viaje Paraná e Copel, com realização do Ministério da Cultura e Governo Federal - Do lado do povo brasileiro. Acompanhe todas as novidades e informações pelo site do Festival de Curitiba www.festivaldecuritiba.com.br, pelas redes sociais disponíveis no Facebook @fest.curitiba, pelo Instagram @festivaldecuritiba e pelo Twitter @Fest_curitiba



Sobre a Mostra Surda - A Mostra Surda de Teatro é uma das ações promovidas pela Fluindo Libras, coletivo cultural dedicado à arte surda e à tradução em Libras. A iniciativa conta com apoio de emenda parlamentar do vereador Angelo Vanhoni, que foi relator do Plano Nacional de Educação em 2016 e defendeu o reconhecimento e financiamento da educação bilíngue para pessoas surdas como modalidade de ensino, e da Fundação Cultural de Curitiba (FCC). 



PROGRAMAÇÃO

03 de abril

14h30 – Oficina: Como contar histórias para crianças surdas

Fortaleza (CE) | Literatura / oficina | 180 min


Oficina voltada ao desenvolvimento de práticas narrativas em Língua Brasileira de Sinais (Libras), com foco na literatura infantil e na valorização da cultura surda. A atividade propõe reflexões e exercícios práticos sobre contação de histórias e criação de personagens e recursos estéticos literários em Libras.


Professora: Lyvia Cruz

Instagram: @lyviacruzlibras


20h – Sopro de Liberdade

Brasília (DF) | Drama | 50 min                                                                                                                        Estreia nacional


Baseado na obra O Grito da Gaivota, de Emanuelle Laborit, o espetáculo narra a trajetória de uma mulher surda que, ao descobrir a língua de sinais, encontra sua identidade cultural e sua possibilidade plena de comunicação e criação.


Direção e atuação: Renata Rezende

Traduatriz: Mauricéia Lopes

Trilha sonora original: Diogo Vanelli

Iluminação e dramaturgia: Lucas Sacramento

Instagram: @cia_teatral_sinalizar



04 de abril

11h – Cangaceira Surda Mara

Fortaleza (CE) | Contação de histórias | 50 min


Uma nordestina percorre o sertão levando alegria e disseminando a cultura surda por meio de histórias, brincadeiras e reflexões sobre respeito, diversidade e a Língua Brasileira de Sinais.


Direção e roteiro: Lyvia Cruz

Produção: Gracy Kelly

Atriz: Lyvia Cruz

Intérprete de voz: Gracy Kelly

Instagram: @lyviacruzlibras


16h – Voz Invisível: Catharine Moreira

São Paulo (SP) | Performance poética | 30 min

Estreia nacional


Performance que convida o público a experimentar a comunicação por meio da expressão corporal e da Libras, destacando o protagonismo da mulher surda na cena artística.


Criação, performance e concepção: Catharine Moreira

Produção: Thais Martins

Instagram: @cathyfofa


17h – Oficina Vibra Dança

Salvador (BA) | Dança / oficina | 120 min


A oficina propõe uma experiência em dança a partir da percepção vibracional das ondas sonoras geradas pela musicalidade e pelos instrumentos das religiões de matriz africana, como os toques do candomblé e o atabaque. Voltada à comunidade surda, transforma vibração em movimento por meio da simbologia da dança dos orixás.


Mediação: Alex Gurunga

Instagram: @alexgurunga



05 de abril

11h30 – Gralha Azul Pinhão

Curitiba (PR) | Performance | 30 min


Estreia nacional

Entre natureza e cidade, o espetáculo revela a língua de sinais como memória, cultura e continuidade de histórias replantadas no tempo, evocando a simbologia da gralha-azul e do pinhão como metáforas de comunicação e pertencimento.


Direção: Gabriela Grigolom e Jonatas Medeiros

Produção: Felipe Patricio

Realização: Fluindo Libras

Instagram: @fluindolibras


15h – Slam Resistência Surda

Curitiba (PR) | Slam / poesia em Libras | 90 min


Evento dedicado à expressão artística e política da comunidade surda, reunindo poetas convidados e fortalecendo a visibilidade da língua de sinais como linguagem poética.


Instagram: @fluindolibras


19h – Encruzilhada

Salvador (BA) | Dança | 35 min


Espetáculo que investiga as intersecções entre culturas surda e ouvinte. Ao saudar Exu, mensageiro das encruzilhadas, a obra propõe refletir sobre barreiras comunicacionais e criar novos caminhos de encontro e transformação.


Criação e interpretação: Elinilson Soares

Direção e dramaturgia: Lucas Valentim e William Gomes

Instagram: @alexgurunga



Serviço:

Mostra Surda de Teatro — 34º Festival de Curitiba

Data: de 3 a 5 de abril

Local: Capela Santa Maria – Rua Conselheiro Laurindo, 267, Centro

Ingressos: Gratuitos, distribuídos uma hora antes de cada apresentação



34.º Festival de Curitiba

Data: De 30/3 até 12/4 de 2026

Valores: Os ingressos vão de R$00 até R$85  (mais taxas administrativas).

Ingressos: www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller - Piso L3 (Segunda a sábado, das 10h às 22h e, domingos e feriados, das 14h às 20h).


Verifique a classificação indicativa e orientações do espetáculo.


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