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BLOG NO TEATRO


Porque eu NÃO assisti (um) ensaio sobre a cegueira
Por Gabi Coutinho Cada vez que alguém me pergunta se eu assisti “(um) Ensaio sobre a Cegueira” no 34° Festival de Curitiba, uma dorzinha me corrói por dentro. Automaticamente me dizem: “não conseguiu ingresso, né?”, mas eu sorrio sem jeito porque não foi essa a questão. Apesar da grande disputa, havia até um certo orgulho silencioso em dizer: eu consegui. Afirmava com convicção que estava pronta para assistir a montagem do Grupo Galpão. Um acontecimento. Uma peça comentada,
6 de abr.


Bola na Trave: uma reflexão sobre Na Marca do Pênalti
Entrei no Teatro Guaíra com a sensação de dia de clássico. Não exatamente aquele frio na barriga de decisão, mas um burburinho diferente. Nas filas, dava pra reconhecer camisas de colecionador, comentários sussurrados, memórias compartilhadas antes mesmo do apito inicial. Era como se parte da torcida do Corinthians tivesse atravessado as catracas do estádio e decidido ocupar as poltronas vermelhas. Sentei. Esperei o ritual. O apagar das luzes é sempre meu apito inicial para o
4 de abr.


Quando foi que a gente mofou? - um conto inspirado em “Como Cozinhar uma Criança”
Houve um tempo em que a gente mofou? Não sei exatamente quando, mas se aconteceu não foi de repente. Não apareceu uma mancha visível, nem um cheiro forte denunciando. Foi mais silencioso, como fruta madura esquecida no fundo da geladeira. Como um liquidificador antigo, ainda em cima da pia, que já não gira mais, mesmo que o botão ainda faça “clique”. A lembrança ainda era doce, fazia parecer coisa fresca. Me permitia lembrar da cozinha da casa da minha avó, no interior de Sa
3 de abr.


Violência à brasileira: crítica da peça “Reparação”, por Adelaide
Por Adelaide, escrito por Maria Nardy (crítica convidada para cobertura do Festival de Curitiba) Um salão de beleza, final dos anos 80, em uma cidade do interior. Manicure, cabeleireira, santa embaixo da mesa, São Jorge no altar na quina da parede, adesivo do Collor no vidro da janela. Um cenário familiarmente brasileiro, detalhado cuidadosamente, regado a café, cigarro, vizinhança e fofoca. Reparação, peça com encenação e dramaturgia de Carlos Canhameiro, começa e termina co
2 de abr.


Quando o banal também começa a incomodar quem sente
Por Gabi Coutinho Começou o 34º Festival de Curitiba, e minha maratona iniciou com “Reparação”, do Carlos Canhameiro, no Sesc da Esquina. A primeira sessão já foi suficiente para me lembrar por que amo tanto essas duas semanas intensas de arte e correria (não que em algum momento eu tivesse esquecido disso), e também reforçou algo essencial: como é fundamental que cada vez mais pessoas tenham acesso e assistam a peças como essa. “Reparação” é um espetáculo que me capturou pri
1 de abr.


Nem só biografia, nem só show: o Tim Maia que acontece no palco
Por Thalyta Cavalli Assistir Tim Maia – Vale Tudo, o Musical foi entrar numa experiência que não se explica de imediato — ela vai se organizando na nossa cabeça enquanto acontece… e continua reverberando depois. Logo no início, senti dificuldade em me situar na história. Entrei esperando uma narrativa mais linear da vida de Tim Maia, e o espetáculo até tem um certo fio cronológico, mas se organiza principalmente de forma fragmentada, em blocos episódicos. As cenas não seguem
1 de abr.
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