
Viagem no tempo: como No Dia Seguinte na verdade é um passado presente
- No Teatro Curitiba
- 3 de jul.
- 3 min de leitura
Descobri que viajar no tempo talvez seja muito mais simples do que eu imaginava. A gente só estava procurando no lugar errado.
Não precisa de máquina, ciência ou de uma grande invenção tecnológica. Nem de um DeLorean.
É muito mais sobre atravessar um corredor, entrar pelos bastidores e aceitar que, por algumas horas, o presente vai fingir que não existe.
No começo você observa e repara em cada detalhe. Fica impressionado com as roupas, vê algo familiar na propaganda, acessa algo ao escutar a vinheta ou a maneira como as pessoas falam, admira a textura da luz.
Você reconhece todos os códigos daquele tempo e pensa: "Nossa, reproduziram muito bem."
Até que sem que ninguém avise, alguns minutos depois, alguma coisa muda.
Você para de achar que aquilo reproduz uma época e começa a agir como se aquela época estivesse acontecendo diante de você. É uma diferença enorme.
Você não sente mais como se estivesse assistindo algo que aconteceu lá atrás, mas sente que foi transportado sem nem lembrar que existe um depois.
De repente, por mais que a totalidade das pessoas ou algo muito próximo disso saiba exatamente o caminho que está por vir, é como se ninguém ali soubesse o que vai ser a televisão brasileira. Estamos atentos e ansiosos pelos programas que vão virar clássicos. Bordões que ainda nem nasceram e propagandas que um dia vão parecer engraçadas.
Tudo ainda é futuro. Imprevisível. Surpreendente.
Isso me provoca a pensar que sempre achei curioso como a televisão vendeu durante décadas a ideia de que tudo acontecia pela primeira vez. Jornal, sorteio, programa de auditório, comercial. Um “ao vivo” que sempre carregou peculiaridades que o gravado nunca conseguiu copiar. O improvisado sempre carregando aquela expectativa de que tudo pode dar errado e, quando dá certo… parece um pequeno milagre.
Talvez seja por isso que televisão ao vivo, teatro e especialmente o improviso conversem tão bem. São linguagens que dependem completamente de sintonia, de pessoas respirando o mesmo ar e vibrando na mesma energia, conhecendo tão bem a estrutura a ponto de brincar dentro dela sem quebrá-la.
Isso é improvisação. Isso é espontâneo. Uma capacidade admirável de permanecer personagem enquanto o mundo muda ao redor, e nos convence de que até o que dá errado, foge do controle ou não sai como o esperado tem algo de mágico, quase sublime. Basta aceitar e estar presente. Entre o passado e o Dia Seguinte.

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Gabi Coutinho assistiu No Dia Seguinte – A quase história da TV brasileira, do grupo Antropofocus, no Teatro José Maria Santos, em Curitiba, no dia 2 de julho de 2026.
Formada em Publicidade, Gabi sempre teve certo fascínio pela linguagem das propagandas e estética dos filmes antigos. Talvez por isso tenha sido tão fácil se deixar transportar para aquele universo, recriado brilhantemente em uma linguagem inteira.
Gabi tem um senso de humor difícil de agradar, mas foi surpreendida pelo riso surgindo com tanta facilidade não apenas pelas piadas, mas pela inteligência da construção, pelo domínio do improviso e pela precisão com que o espetáculo faz teatro e televisão dialogarem em cena.
Com toda a certeza, em sua totalidade, o espetáculo entrou como uma das obras mais brilhantes que Gabi já assistiu.
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FICHA TÉCNICA
ELENCO: Anne Celli, Andrei Moscheto, Edran Mariano, Marcelo Rodrigues e Kauê Persona
MÚSICOS: Doriane Conceição e Candiê Marques
TÉCNICOS: Mi Sugiyama e Paulo Rosa
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL: Mozart Machado
TEXTO: Anne Celli & Andrei Moscheto
TRILHA SONORA ORIGINAL e SONOPLASTIA: Doriane Conceição e Candiê Marques
CENÁRIO E FIGURINO: Paulo Vinícius
CARACTERIZAÇÃO: Marcelo Rodrigues
ILUMINAÇÃO: (Original) Lucas Amado (Adaptação) Wagner Correa, Paulo Rosa
VÍDEO: Paulo Rosa
EDIÇÃO DE VÍDEO: Andrei Moscheto
CONSULTORIA DE IMPROVISÇÃO: Gustavo Miranda
DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Edran Mariano
DIREÇÃO GERAL: Andrei Moscheto
REALIZAÇÃO: Antropofocus™️


